Durante o Animal Week, projeto idealizado pela ONG Move Institute, a cidade de São Paulo foi sede de debates, ações e manifestações artísticas com o objetivo de conscientizar a população sobre questões relacionadas à causa animal. Tema presente na vida de todos mas, na maioria das vezes, ignorado.

Na Praça da Liberdade, a ONG Elephant Voices participou da semana animal e levou às ruas reflexão sobre os maus-tratos sofridos por elefantes. Um elefante é morto a cada 15 minutos para que seu marfim seja comercializado, segundo um dos cartazes de protesto. Os manifestantes coletaram assinaturas para um abaixo-assinado pedindo a proibição do “produto” no Brasil.

“Animais: nossos melhores amigos de infância, um dia viram matéria-prima” é a mensagem do curta-metragem Memórias da Infância, produzido pelo Move, que mostra os primeiros contatos de um bebê com estes seres, antes nossos amigos e esquecidos na idade adulta.

“Nenhum animal escapa, desde as formigas até os mamíferos gigantes” afirmou Eugênio Trivinho na mesa de reflexão realizada na Livraria da Vila, Shopping Higienópolis. Trivinho é professor de pós-graduação na PUC-SP e autor do Livro O Silêncio no Prato: critica das heranças canibais. Para ele, a cultura humana precisa destruir, ter a mira apontada para alguma coisa e assim poder construir. A mira da destruição criadora está apontada para os animais: “o animal já cadáver no prato fala de forma ruidosa, um silêncio ensurdecedor para quem quiser ouvir”.

“Na ciência animais são cegados, eletrocutados, escaldados, irradiados, esmagados, desmembrados (…) e quem se coloca contra, é agredido” disse o escritor e artista Arthur Matuck, também presente. Citou o exemplo da Animal Liberation Front, conjunto de ativistas que entram escondidos em matadouros e laboratórios libertando os animais presos. São considerados terroristas e perseguidos nos Estados Unidos. “Se fosse instituída uma lei que proibisse a experimentação animal os cientistas iriam desenvolver métodos alternativos e evoluir”, concluiu.

Outro artista parte da mesa de discussão foi Vermelho Steam, conhecido por seus grafites que levam aos muros da cidade mensagens de protesto pelos animais e reflexões sobre a condição humana. Para Vermelho “o mundo está tão contaminado que quando alguém faz algo respeitoso é considerado herói”.

Imagem no cartaz de divulgação na Livraria da Vila

Imagem no cartaz de divulgação na Livraria da Vila

Animais são utilizados na arte de maneira cruel, como por exemplo a instalação de Guillermo Vargas que prendeu com uma corda no pescoço um cachorro de rua desnutrido em uma galeria de arte na Nicarágua. Também Damien Hirst com sua famosa obra The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living que é um tubarão que foi capturado e morto, preservado em formol, vendido por alguns milhões de dólares. Contrário aos artistas citados acima, Vermelho prega a paz através de sua arte: “Nós vegetarianos temos que passar uma mensagem e o artista também tem essa responsabilidade”.

A arte marcou presença. No Conjunto Nacional, duas instalações: Guto Lacaz com esculturas de cães feitos de isopor a favor da adoção e Simone Sapienza com Animal Eyes. As pessoas que por ali passavam eram convidadas a olhar nos olhos de cada animal e cada um com uma frase que juntas formavam um poema. A fotógrafa Bela Gregório expôs seu ensaio no restaurante Drosophyla contra a comercialização de animais silvestres.

Completando a programação foram distribuídas sementes de árvores frutíferas para serem plantadas no perímetro urbano e servirem de alimentos para os pássaros no futuro (FOOD FOR BIRDS). Máscaras contra o uso de peles NO FUR foram entregues nas baladas Astronete e Bar Secreto. Também houve arrecadação de ração e cobertores em parceria com a Rádio Rock 89 FM.

Foto da exposição de Bela Gregório

Foto da exposição de Bela Gregório

O encerramento foi no Parque da Independência com a ONG Sharkx e seus tubarões skatistas, customização de shapes ao vivo e partida de polo bike com a liga feminina NO HORSE. Tudo ao som do DJ Vitor Costa.

A iniciativa do Move Institute fugiu dos clichês para atrair um público mais abrangente e tentar romper o estereótipo do ativista vegetariano que é frequentemente ridicularizado ao ser tratado como radical e consequentemente não consegue passar sua mensagem de justiça e paz aos animais, seres completamente ignorados por uma sociedade antropocêntrica e especista.

Parabéns Move Institute. MOVE Your Ass for the animals!!!

(Por Stephanie Lourenço)

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3 thoughts on “Veja o que aconteceu na AniMaL WeeK 2013

  1. Tercio Teles disse:

    Legal ano que vem estaremos la de novo o/

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